Vida sob pressão
Sem rodeios.
Nessa semana percebi que odeio o rumo que minha vida tomou.
Me pergunto de que valeu ser sempre um destaque escolar e acadêmico. Porque, considerando meu humor atual, eu diria que não valeu de nada.
Sempre me esforcei para ser a melhor em tudo, em todo lugar e em cada coisa que me propus a fazer. E para quê? Onde cheguei?
Hoje sou apenas uma mulher de 32 anos que permanece no mesmo lugar da adolescente de 16 anos que vivia correndo atrás de um futuro. Dezesseis anos se passaram e ainda não encontrei futuro nenhum. Continuo correndo. E devo confessar que já estou bem cansada.
Vivendo sob a pressão de que a gente tem que se tornar "alguém na vida", alguém importante, reconhecido, que seja bem sucedido financeiramente e que traga orgulho para meus pais, eu acabei me anulando completamente. Já nem sei mais quem eu sou.
Eu era uma artista. Já sonhei viver da arte de alguma maneira. Eu cantava (e modéstia à parte, era muito elogiada por isso), eu desenhava (adoro/adorava mangás), eu tocava três instrumentos musicais (violão, baixo e teclado), eu dançava (ah como eu adorava aquilo...) e lia vários romances para passar o tempo.
Hoje não me lembro nem de cantar no banheiro (às vezes o banho não dura o tempo de uma música); meus desenhos são apenas lembranças em uma caixa no fundo do meu guarda-roupas; meu violão (único instrumento que me resta) só serve para aparar a poeira da casa e até acho que desaprendi; dançar? não levo mais jeito para isso.
Enfim, aquela pessoa não existe mais.
Já me disseram que não posso viver de passado. Que as pessoas mudam e que a mudança é sinal de evolução. Ok. Mas e se eu não gostar da minha nova versão? E se eu não gostar dessa evolução? Posso voltar e recuperar meu eu anterior? Posso voltar a ser feliz? Porque, agora, não tenho certeza se sou.
E, por favor, não me entendam mal (se é que tem alguém lendo esse blog agora). Eu não tinha a intenção de ser podre de rica quando chegasse a essa idade, eu só queria ter certeza de ter chegado a alguma lugar e ter confiança para poder definir o que sou e quem eu sou. Mas isso ainda não aconteceu. Pelo contrário, pareço cada vez mais perdida, parece que me perco cada dia um pouco mais nessa estrada. A impressão que tenho é de que a cada passo que dou, arranco um pedaço maior de mim e sinto como se já não restasse muito mais.
Bem, e por não querer me alongar mais do que já me alonguei, saibam que eu não culpo ninguém por isso. Até porque, nem eu sei explicar direito como vim parar aqui. Só sei que eu estou desaparecendo no meio dessa pressão toda, dessa busca incessante por alguma coisa e talvez, em pouco tempo, não me reste mais nada, a não ser estas palavras aqui registradas, para me mostrar que, um dia, eu tive consciência do que já fui e do que já tinha perdido.
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